Igreja De Santo António
A Igreja Matriz terá sido edificada no início do século XX, possuindo uma nave, um transepto, três altares, um central e dois laterais, e um campanário construído em granito e com cobertura em xisto.
A escadaria exterior, que lhe dava acesso permitia também entrada para o coro da Igreja, local onde a maior parte dos homens se posicionava para assistir ao culto religioso.
No princípio da década de setenta do século XX o campanário foi substituído pela Torre com o respectivo relógio que ainda hoje dá horas para toda a população.
Dos três altares existentes na Igreja merece relevância o que se encontra posicionado no lado esquerdo da entrada principal, ornamentado com talha barroca. É o altar do padroeiro da freguesia — o altar de Santo António. Nele se encontra a sua imagem extremamente valiosa, em quem o povo desta população tem um orgulho notável.
Capela de Santa Margarida
Situada no primitivo centro habitacional da aldeia de Vales do Rio e onde existia um cemitério, foi erguida uma segunda capela, a ermida de Santa Margarida, em homenagem à santa que tem o mesmo nome.
Devido ao estado de degradação a que esta capela chegou, foi, no final do século XX, alvo de reconstrução.
Aqui se encontra uma imagem de Santa Margarida e que se diz terá centenas de anos.
A festa em sua homenagem é realizada no mês de Agosto junto da sua capela, passando no final do século XX a ser também designada de festa do emigrante devido ao número elevado de emigrantes que nela participam e por estes compatriotas passarem as suas férias nesse mês na aldeia.
Fonte dos Namorados
Perto do ribeiro principal fica outro local de encontro: a “Fonte Velha”, também conhecida como a “Fonte dos Namorados”.
Conta a tradição da nossa aldeia que foi junto a esta fonte que muitos dos nossos antepassados se conheceram e viveram os primeiros namoros, quase sempre em segredo, mas sempre com encanto. Este recanto guarda memórias queridas e desperta sorrisos, sobretudo nas gerações mais velhas que nele veem um pedaço vivo da sua juventude.
Em tardes de Verão era comum vermos uma grande quantidade de cântaros, colocados de uma forma alinhada, nos locais próprios para tal fim, que aguardavam pelo momento de serem cheios. Era neste momento de espera que os rapazes aproveitavam para fazer sentir a sua presença e se dirigiam à sua escolhida.
Foram tantos os namoros aqui iniciados que o povo imortalizou a fonte com o nome referido e a quem dedicou uma quadra, que entretanto se perdeu mas que seria mais ou menos assim:
Fui a pé à Fonte Velha,
Para a água ir buscar,
Encontrei o meu amor,
Comecei a namorar!
A Fonte dos Namorados é um dos lugares mais belos e intimistas da aldeia. Na nossa visão de futuro, merece não só maior cuidado, mas também ser redescoberta como espaço de lazer, de encontro e de cultura.
Porto (Rio Zezere)
O porto é um dos lugares mais marcantes da nossa aldeia, um verdadeiro baú de memórias que guarda histórias de gerações. Para quem não conhece, é o ponto mágico onde a Ribeira da Meimoa abraça o Rio Zêzere, um lugar repleto de lendas, tradições e recordações que aquecem o coração.
Durante anos foi a nossa praia — a tão famosa “praia da mosca” — onde muitos de nós demos as primeiras braçadas, aprendemos a pescar, a respeitar e a contemplar a natureza. Foi também ali que famílias inteiras se reuniam em piqueniques, onde se riam as melhores gargalhadas, se partilhavam refeições simples, mas cheias de amor, e onde o tempo parecia correr mais devagar.
Iguaria da gastronomia local: o Brulhão.
Brulhão e Centro Interpretativo
Para preservar a história e cultura local, foi inaugurado em setembro de 2024.
O Centro Interpretativo do Brulhão, dedica-se à preservação da memória coletiva da aldeia, com particular destaque para o "brulhão", um prato gastronómico local feito com bucho de cabra ou ovelha, recheado com carne de porco, arroz, enchidos e a erva aromática serpão.
A nossa Gastronomia. Para os valrienses, o Brulhão não é apenas um prato: é memória, tradição e afeto servidos à mesa. Durante décadas aqueceu as festas da aldeia, esteve presente em quase todos os casamentos e reuniu famílias e vizinhos em volta do mesmo sabor. O aroma do serpão espalhava-se pelas ruas, anunciando momentos de partilha, e o seu gosto inconfundível continua a encantar quem aqui nasceu e quem nos visita.
No nosso olhar para o futuro, o Brulhão é mais do que uma receita – é uma herança preciosa, a verdadeira pérola da nossa terra. Cabe-nos cuidar dela, valorizá-la e projetá-la para o mundo, para que o nome da nossa aldeia ecoe além-fronteiras.
Eira
Antigas tradições.
Em tempos, as eiras de Vales do Rio eram palco de vida e partilha. Era aqui que se procurava o Milho-Rei, que se lançavam olhares cúmplices, abraços e beijos roubados pela juventude. Entre o som ritmado do malho e o cheiro da colheita, trabalhava-se e convivia-se, porque a eira era mais do que um espaço agrícola: era lugar de encontro, de festa e de afirmação comunitária. Não por acaso, dizia-se que quem estava “sem eira nem beira” vivia sem riqueza e sem amparo.
Hoje, olhamos para esse passado com saudade, mas também com a responsabilidade de o levar adiante. O nosso património é herança viva, feita de pedras e paisagens, de memórias e tradições, de gestos simples que moldaram o quotidiano rural. Cabe-nos proteger, valorizar e reinventar esse legado, para que nunca se perca.
Casario Tradicional
As nossas casas
Houve um tempo em que cada casa tinha vida, onde os vizinhos se conheciam e partilhavam afetos. Um tempo em que as colchas de renda e linho, gastas pelo tempo, repousavam em cada varanda, deixando no ar um movimento que anunciava a procissão. Hoje, queremos recuperar esse espírito e transformar o presente e o futuro de Vales do Rio, numa aldeia com mais vida.
Porque cuidar das casas e do património é também cuidar das pessoas e do futuro da aldeia.